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À guisa de conclusão.
Terminada
a análise de cada uma das telas de Paula Rego no seu
confronto com o texto de Eça, confirma-se que este funciona mais
como um provocador de imagens e de metáforas visuais (na maioria
das vezes distorcidas ou totalmente novas) do que como texto de base,
A narrativa queiroziana descoberta muito cedo por Paula Rego sob a influência
do pai, fornece à pintora temas como a quebra dos tabus, a relação
homem e mulher, o amor impossível, a repressão sexual etc.,
que a tocam de muito perto. Apenas uma tela (À Janela)
poderia ser considerada propriamente a ilustração de um
episódio
do romance, todas as demais desvelam novas combinações,
inversões nas relações de força, fusões
temporais e espaciais, distorções e desenvolvimentos inesperados,
um novo imaginário e sobretudo um outro universo simbólico. PS.: uma pequena coda António, o conhecido cartoonista português de O
Expresso,
homenageou Eça de Queiroz (1845 - 1900) no centenário da
sua morte com uma caricatura "d’après P. Rego".
António retoma a tela que já conhecemos, intitulada Mãe,
e substitui, na figura do homem que veste uma saia de xadrez entre três
mulheres, o rosto do Padre Amaro pelo perfil do escritor. Assim, acima
da grande vieira central, metáfora do sexo feminino, o espectador
descobre um duplo retracto do escritor (no plano médio e no espelho).
Eça torna-se, desta forma, pai e mãe das suas personagens. |
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