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1. Apresentação
e delimitação do corpus.
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texto, apresentado inicialmente num Seminário sobre Literatura
Comparada, realizado no Funchal há dois anos atrás (outubro
de 2001), volta, de certa forma a um ensaio1 publicado
na revista do Departamento de Letras e Artes da Universidade Estadual
de Feira de Santana em 1998. Com uma diferença
capital, no entanto: tratava-se antes de analisar a produção
pictórica de Paula Rego na sua relação com a tradição
também pictórica clássica do século XVII
francês (essencialmente Philippe de Champaigne). Agora, busca-se
articular pintura e literatura, ou seja Paula Rego e uma narrativa de
Eça de Queiroz. A articulação nasce de uma exposição
específica de Paula Rego.
Ao
receber o convite para participar, juntamente com os professores Daniel
Pageaux, Claudio Guillén e Álvaro Manuel Machado, de um
fórum sobre literatura comparada, apresentei duas propostas: uma
ligada à tradução literária; outra sobre
as relações entre literatura e pintura. A segunda foi a
escolhida assim que, por telefone ainda, lembrei que poderia centrar-me
a um conjunto recente de telas da pintora portuguesa trabalhando na Inglaterra,
Paula Rego. O conjunto, de 1997 – 1998, exibido no Museu de Arte
Moderna da Gulbenkian, de Lisboa, juntamente com uma série sobre
a tragédia do aborto clandestino, intitula-se O
Crime do Padre Amaro e tem como pré-texto o romance de Eça.
Entre o texto apresentado e discutido em outubro 2001, que permaneceu
aliás inédito, foram acrescentados alguns parágrafos
que explicitam o confronto de dois imaginários, discutem uma estratégia
pedagógica e alargam a intertextualidade com a inclusão
de uma caricatura de António, publicada em O
Expresso, em homenagem
a Eça de Queiroz.
Vejamos inicialmente o interesse pedagógico de uma tal articulação.
Nos cursos de Letras, tanto em Portugal como no Brasil, trabalha-se essencialmente
sobre textos; nos de História da Arte, estudam-se obras plásticas,
técnicas e estilos. A articulação Literatura – Artes
plásticas feita tão brilhantemente por ensaístas
como Freud, Panofsky, Gombrich, Arasse, Démoris, para citar alguns
nomes quase ao acaso, nunca foi integrada realmente num programa sistemático
de ensino. Pelo menos entre nós. É como se só considerássemos
uma metade da criação estética nas nossas universidades.
Essa dicotomia não existe na realidade a articulação
texto – imagem deveria ser objecto de mais investigação.
1Cf. O sentido engmático das imagens ou a pintura de Paula
rego entre tradição e inovação, in A cor
das letras, Feira de Santana, nº 2, 1998, pp.115 -128.
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